Um universo de softwares.

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Recentemente tenho sido agraciado com várias oportunidades de discutir sobre os programas disponíveis no mercado para profissionais da área de engenharia e com isso entender um pouco mais sobre a complicada variedade de produtos disponíveis.

Primeiramente é interessante saber avaliar e não vincular seu produto somente a uma forma de trabalho por conta do mercado. Sim, o mercado é um grande impulsionador e é por meio dele que esperamos que entidades governamentais sejam forçadas a trabalhar de forma mais coerente, mas o que ocorre é que por comodidade nós nos submetemos ao que se tem disponível e ao que os outros estão fazendo. Sempre me coloquei fora do “saco” quando falavam que o os projetistas estruturais são aversos à tecnologia e inovação, mas quanto aos softwares, eu concordo que talvez eu esteja abaixo do que desejo pra mim mesmo.

Sempre trabalhei com produtos Autodesk de forma que sempre que alguém falava de outros produtos concorrentes ao AutoCad, essa pessoa era imediatamente tachada e criticada. Transformamos o AutoCad em Cad, mas na verdade Cad é um seguimento de softwares com esse método. Não conhecia a Bentley, e ainda não utilizei na prática seus produtos, mas não mais tenho problemas em estudá-los, o que pretendo. Acredito que a “religião” que se forma sobre alguns temas na engenharia prejudiquem muito o desenvolvimento da mesma.

Sinceramente, a dificuldade dos revendedores com quem já falei era a de entender e me explicar o que um programa tem de diferente do outro. Nunca cogitei em orçar um AutoCad Civil 3D, pois nunca me foi explicado pelo revendedor quais suas vantagens, que curiosamente me foram apresentadas por um representante do concorrente.

O mesmo ocorre, com a visão limitada que temos dos projetos. Enquanto estamos confortáveis projetando em 2D e algumas vezes fazemos projetos em 3D somente para maquetes para mostrar aos clientes, existem países onde o modelo tem de incorporar todo um raio ao redor do empreendimento. Temos softwares para fazer esse trabalho? Temos usuários capazes de operar esses softwares? Nas duas perguntas a resposta é sim, mas eles ainda são escassos. Me pergunto quanto tempo vai demorar para chegarmos nesse desenvolvimento.

Infelizmente acredito que vai ter de haver um pioneiro, um escritório que treine seu pessoal e desenvolva os sistemas de trabalho que sejam capazes de serem utilizados em todo o mundo. Digo isso, pois assim como pessoalmente muitas pessoas ao conversar comigo me apresentam como conhecer outros países e culturas, modifica a maneira em que essa pessoa se enxerga no meio, e mudam os sonhos e ambições que elas têm, eu vejo que somente quando alguém perspicaz conseguir mostrar e convencer alguns clientes de que seu trabalho é melhor, a ideia desse sistema será propagada.

Até lá, teremos uma engenharia fraca em softwares, que mal conversam entre si, que necessitam de conversões para rodar em diferentes plataformas e muita informação é perdida.

Um dos piores exemplos é o PDMS, que é considerado um grande software de BIM, mas que é muito incompleto e complexo de operar. Não que ele seja pior que uma plataforma 3D, mas é que a propaganda não parece representar necessariamente o produto.

Enquanto alguns ainda pensarem de forma simplista, estaremos fadados a nem saber usar o BIM, que na minha sincera opinião nem deveria ser “Building Information Modeling”, mas “Building Information Management”, que estão chamando de BigData atualmente.

Para um país que está patinando no BIM, sugiro fazer a transição direta para o BigData e poupar tempo e dinheiro.

Fonte da imagem:

http://www.terminalroot.com.br/

Um grande abraço!

Ronaldo Mendes Salles

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