Todos têm de pagar suas contas.

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Você gosta de ver anúncios de novidades tecnológicas e empresas inovadoras, tentando abranger cada vez um futuro mais improvável (admita)

Mas o que todos sabemos é que alguém tem de bancar as contas.

Muitas empresas de tecnologia vivem hoje de investimentos e não de lucro. A moda das Startups gerou um mercado muito estranho. Sim, estranho.

O medo das pessoas de perderem uma vaga no barco que está indo para uma montanha de dinheiro, faz com que embarquem em caminhos desconhecidos e perigosos. A maioria desses caminhos é escolhido sem nenhuma base lógica.

Como já escrevi na matéria sobre as empresas unicórnios (Unicórnios estão mais para Zubats), várias expectativas de mercado acabam não se concretizando com o passar dos anos. As previsões acabam mais baseadas no campo do esoterismo-estatístico.

Não que as estatísticas não possam ser grandes aliadas na decisão de investimento. Mas que não estão nem perto de serem verdades incontestáveis. A própria origem da palavra estatística vem do agrupamento de um grupo de dados, como de um estado (no sentido de governo), mostrando que se trata de um estudo de comportamento geral e não das exceções.

Mas vamos falar de novidade, que é o que me levou ao assunto de hoje. A Google anunciou recentemente que o desenvolvimento de seu carro autônomo será adiado. 

De acordo com a reportagem do MIT TechReview a Google mudará o foco para a produção de um carro mais convencional, antes do carro autônomo.

O que podemos conjecturar?

Na prática, a Google está assumindo a incapacidade atual de produzir um veículo totalmente autônomo, que atue com segurança em um ambiente não controlado.

Provavelmente o modelo de mercado praticado pela Tesla seja mais eficiente. Desde o começo a Tesla se baseou em vender carros com algum diferencial, prevendo a automação somente ao longo prazo.

Esta talvez seja a dificuldade que defina os sucessos dos fracassos, mostrar maior autonomia financeira. No mercado chamam estes fatores são chamados de monetização e payback.

Monetização é a capacidade de gerar dinheiro que um negócio possui. Payback é o tempo que demora para a empresa devolver o valor do investimento em lucro.

Hoje se fala de 5 anos de payback de investimentos para StartUp. Portanto um investidor pode ficar aguardando por cerca de 5 anos para obter o retorno de seu capital.

Claro que existem muitos outros itens e poréns nos contratos, mas em geral são feitas apostas de prazo médio até longo.

Empresas que não conseguem mostrar receita, acabam por não durar e perdem valor rapidamente.

Neste momento talvez você pense na Amazon, que não pode gerar lucro (pois este não é o objetivo da empresa), mas não se esqueça que gerar lucro no balanço é diferente de levar prejuízo.

A Amazon lucra com seus produtos. Mas no final do balanço, a comparação entre receita, gastos e investimentos deve chegar o mais próximo possível de zero.

Eles simplesmente reinvestem o que ganham em equipe, desenvolvimento,  equipamento, marketing, etc.

Voltando à Google, vejo este anúncio como uma grande derrota. Não por uma eventual desistência do projeto, mas sim por se afastar da vanguarda do desenvolvimento desta tecnologia.

Das inúmeras “lutas” onde a Google parece comprar a briga, ela resolveu gerar caixa justamente em uma que parecia tão aquecida e próxima.

Quando tento imaginar os motivos para levarem a tal decisão, vejo o seguinte:

  •  Ela pretende fazer um pouco de marketing e mostrar know-how para o mercado antes de produzir algo muito avançado.
  • Já existem concorrentes no mercado em estágio de desenvolvimento igual ou mais avançado no assunto.
  • O mercado automobilístico afeta diretamente o sistema de economia americana em sua base (alto risco de inimizade)

Imagino que uma empresa que já tem tradição de desenvolver projetos complexos como a Google, não irá se render neste ringue. 

Mas que seja apenas uma questão estratégica em saber como o mercado reagiria a um carro produzido em larga escala com a marca Google envolvida no projeto.

Tiro no pé ou grande sacada? Somente o futuro nos dirá.

Até lá os estatísticos podem ficar brincando de adivinhar o futuro, como  as cartomantes.

Ronaldo Salles – Engenheiro de pijama.

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