Território, mapeamento, planejamento, projetos.

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Resumo livre da palestra da Me. Eng. Fátima Alves Tostes no IE.

A discussão inicial da palestra se baseou no desenvolvimento cultural dos engenheiros e técnicos, pois ainda há uma falha cultural tanto dos profissionais quanto das instituições públicas e privadas em se interessar por dados. Então há uma grande falta de informações cadastrais atualizadas que seriam de extrema importância para estudos e planejamentos futuros.

Nessa falta de local para retirar essas informações algumas vezes sentimos que até o Google possui mais informações disponíveis para livre consulta do que os órgãos responsáveis por fazerem esta cartografia, mas infelizmente os dados realmente necessários não são os que aparentam ser úteis para uma simples consulta de endereço, como o que é possível ser consultado por qualquer ser humano no mundo.

Levantamento por laser LIDAR
Levantamento por laser LIDAR

Então quais os dados que preciso para cadastrar o terreno e como faço isso?

Vamos definir que não estamos falando apenas de dados de relevo, mas dados cadastrais mais significantes, como divisão de lotes, locação de obras, mapeamento de recursos hídricos. Com isso já temos a ideia que o cadastro é mais abrangente e com isso vamos precisar de sistemas de grande porte que possam nos fornecer uma visão aeroespacial.

Como qualquer trabalho, deve-se sempre se fazer algumas perguntas antes de começar os trabalhos:

  • Quais as informações que desejo? (essa pergunta já foi respondida no exemplo acima)
  • Quanto isso me custará?
  • Qual o tipo de captura que deve ser utilizada?

As informações devem ser levantadas de forma que sejam úteis, pois por mais simples que sejam as perguntas acima, sem elas seria fácil obter resultados que não representassem aquilo que é desejado.

Os métodos de levantamento dos dados são os seguintes:

Topografia (Topos+Graphen = lugar+descrição)

Somente com a formação da palavra já é possível entender que o surgimento da topografia já limitava seu uso quanto a escala (área de abrangência), sendo que antes da invenção de aparelhos mais sofisticados era meramente a observação do meio. A topografia evoluiu muito, mas ainda possui muito trabalho manual se comparada com outros métodos existentes, aos quais hoje tenta se misturar. O desenvolvimento dos aparelhos proporciona hoje que eles sejam até mesmo capazes de operar remotamente e de com certo grau de liberdade autômato. Como hoje já se entende que a mescla entre os diferentes sistemas é o caminho mais lógico, o desenvolvimento desses equipamentos se concentra em duas vertentes, melhoria da capacidade de interação (software e hardware melhorados) e melhoria da captação e sensibilidade (para outros usos como medição de deslocamentos e fissuras em construções).

Sistema GNSS (Sistema de navegação global por satélites)

É nessa hora que talvez você já diga que é o GPS, nome tão popular, mas saiba que GPS é apenas o sistema americano, portanto não deve ser confundido com o nome da tecnologia (mas isso acontece direto é a famosa Metonímia, aulinha de língua portuguesa).  uma breve lista dos sistemas segue abaixo:

  • GPS (EUA)
  • GLONASS (RUSSIA)
  • GALILEO (UE) – ainda em desenvolvimento
  • COMPASS (RPC)

Um breve resumo do funcionamento do sistema:

  • waypoint – ponto específico de referência
  • trilhas – uma sequencia de coordenadas quaisquer
  • rotas – sequencia de waypoints estabalecidos
  • go to – waypoint de destino
  • trackback – geração do caminho de retorno
  • distância entre pontos – modelo matemático (viva Pitágoras)

As vantagens do sistema é que ele está disponível 24h, não é tão dependente do clima, estabilidade e “gratuito. Porém suas fraquezas são relevantes, precisa de equipamentos adicionais pra funcionar, necessita de 4 satélites conectados ao mesmo tempo (um para cada variável, comprimento, largura, profundidade, tempo), sofre de interferência de rádio e de descarga de íons na ocorrência de tempestades solares (mais comuns que se imagina).

Sensoriamento remoto

Levantamento com Radar (SAR)
Levantamento com Radar (SAR)

Estes sistemas podem ser ativos ou passivos. Os passivos utilizam a luz solar como fonte de energia, sendo o mais conhecida a aerofotogrametria existem câmeras hoje que são capazes de oferecer uma resolução que faz com que cada pixel da imagem tenha uma medida equivalente no solo de 60cm.

Os sistemas ativos existem dois tipos básicos: Radar e LIDAR. O sistema de radar utiliza sinais de rádio transmitidos da lateral do avião e a escala máxima de resolução desse sistema chega a 1:5000. O sistema LIDAR é um sistema de mapeamento a laser que mapeia uma faixa sob o percurso da aeronave. Esse tipo de sistema a laser gera um conglomerado de pontos que podem ser ajustados para formarem um modelo 3d da área, veja postagem anterior, mas que demandam muito trabalho posterior de cadastramento das informações dentro do modelo ou nuvem de pontos.

Realidade brasileira

Planejamento errado, ocupação ainda mais.
Planejamento errado, ocupação ainda mais.

Como de costume é nessa hora que temos vontade de chorar. Esses recursos tem a característica de abranger grandes áreas, portanto são ideais para planejamento de rodovias, obras de infraestrutura, ocupação humana, etc. Mas apesar de tanta tecnologia disponível e que pode ser aplicada, ela acaba não sendo plenamente utilizada. Não estou dizendo que não executam esse tipo de serviço, mas simplesmente que em boa parte dos casos não se utilizam os dados capturados. Conforme foi exposto temos um abismo muito grande entre o que realmente é constatado em nossas cidades e o que está descrito e planejado nos mapas cartográficos. Existem exemplos de mapas que apresentam loteamentos em áreas de risco ou ao lado de mananciais (isso pra quem pensa que pelo menos no papel nosso país é planejado). Se você deve estar imaginando que se até no planejamento existem erros graves, na prática a situação é caótica, você acertou. É terrivelmente visível como são evidentes os crimes ambientais, falhas de zoneamento, ocupação indevida e áreas de risco ocupadas.

 

 

Comentários e conclusão:

As tecnologias disponíveis não se modificaram muito nos últimos anos, mas melhoraram sua precisão e a capacidade de análise e processamento, inclusive de levantamentos antigos baseados somente em fotos sem locação GNSS, etc. Espero que cada vez mais sejam feitos cadastros de nossas bacias hidrográficas, estradas e até perfis geológicos, pois são informações de infraestrutura muito necessárias para o desenvolvimento humano, nem precisaria citar a ocupação humana também entre os “problemas” que precisam de monitoramento. infelizmente na parte mais prática, recursos desperdiçados, mais um capítulo da história brasileira que mostra que gastamos mal nosso dinheiro. Fazer levantamentos colabora para melhor planejamento e redução de erros e gastos, mas fazer o investimento sem a continuação dos trabalhos nada mais é do que o simples desperdício de recursos. Esperamos que consigamos mudar essa mentalidade das instituições governamentais e termos o retorno que tanto precisamos para o desenvolvimento do país.

Um grande abraço.

Ronaldo Mendes Salles

 

One thought to “Território, mapeamento, planejamento, projetos.”

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