Sua obra em 3D, vale à pena?

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Resumo da palestra ocorrida no IE sobre levantamento e processamento de dados para obras de infraestruturas usando o BIM pelo Sr. Marcus Cardoso e Eng. Evandro Ferretti Manffra

Basicamente a palestra veio tentar responder a duas questões, aliás além de questões elas têm se tornado uma necessidade real na administração de custos.

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Como fazer levantamentos de campo sem precisar de tantas pessoas e reduzindo o risco de acidentes?

Para a primeira questão foram apresentados equipamentos capazes de fazer medições com velocidades impressionantes, como um scaner a laser que lê 60.000 pontos por segundo e pode ser acoplado a um veículo que se desloque a até 60km/h. Este scaner obtém fotos da paisagem ao redor e conecta estas informações com os dados obtidos da nuvem de pontos (dados crus do scaneamento) formando assim um conjunto de dados organizado que pode ser processado para geração de modelos 3D do ambiente. Para que isso funcione corretamente o aparelho é composto da junção de 3 funções básicas, câmera+GPS+Scaner. Também há versões acopladas a drones que podem fazer a varredura da região e mapeá-la.

O interessante da tecnologia é que ela já está sendo utilizada para cadastramento de imóveis e obras mais antigas onde os novos métodos permitem que seja feito planejamento em modelos 3D, mas na época isso era impossível de ser feito e com este sistema pode ser feito em velocidade absurda, como a reforma do aeroporto do galeão no RJ.

Algumas empresas já estão utilizando esta tecnologia para fazer verificações e controles de obras na entrega o famoso “as built” (conforme construído).

Segue vídeo de exemplo de como fica uma leitura desse tipo de scaner, o que pode ser transformado em um modelo real por softwares apropriados.

Como melhorar a eficiência das obras de infraestrutura e reduzir pessoal?

A solução apresentada é uma versão da automação das máquinas para que elas possam executar a obra com precisão.

Creio que dependendo da sua idade você tenha pensado em máquinas operando por conta própria, sem operadores e temido a famosa “Skynet” dos filmes da série “O exterminador do futuro”. Mas não é o caso. Primeiramente esclareço que a apresentação se focou em obras de terraplenagem e a maioria das referências que usaremos serão sobre cortes e aterros. A automação a que nos referimos aqui é apenas a comunicação em tempo real entre modelos 3D, que permitem que o maquinário (com vários sistemas auxiliares instalados) consiga saber em tempo real a sua posição e consiga oferecer ao operador exatamente a posição em que ele deveria deixar o terreno. O operador ainda possui a decisão de como executar da melhor forma, mas o sistema o alerta o tempo todo se o que ele está produzindo está dentro das premissas da obra. Com algumas configurações mais detalhadas e demoradas, é possível bloquear o acesso da máquina para certas localidades dentro da obra impedindo que um trabalho indevido seja realizado. Também existe um apelo a segurança, já que os profissionais que ficam juntos as máquinas para orientar o operador, não se fazem mais necessários. O que se faz extremamente necessário é um planejamento de execução bem detalhado, já que cada máquina aparelhada possui um valor de hora muito mais elevado que no sistema convencional.

Mas como isso funciona? Primeiramente a obra deve ter um sistema de comunicação universal quer seja por rádio, GSM, ou WiFi para que as máquinas possam operar em tempo real e as informações captadas pelo escritório central. Caso este sonho de consumo não seja possível, existem alternativas para carregar os modelos em memórias externas e descarregar nas unidades individualmente.

Com esse tipo de controle algumas coisas que nos parecem estar a anos luz da realidade da construção podem ser realizadas:

material promocional mostrando alguns dos sistemas autônomos
material promocional mostrando alguns dos sistemas autônomos
  • controle do estado da execução em tempo real para informe de produtividade e acompanhamento da obra pelo cliente
  • redução de erros de leitura de projeto
  • redução de tempo com trabalhos
  • maior controle de cronograma
  • menor tempo de resposta em caso de desvios
  • redução do uso da mão de obra

Estes são somente pontos positivos, que irão tentar superar as dificuldades de implantação desse tipo de sistema:

  • necessidade de um projeto modelado em 3D
  • instalação dos equipamentos nas máquinas
  • treinamento de pessoal
  • instalação de rede de comunicação segura e confiável no canteiro
  • planejamento de execução mais afinado

Como exemplo prático no Brasil já houve a aplicação desta tecnologia na obra de terraplenagem do empreendimento Klabin-PUMA onde a empresa executora retirou totalmente uma de suas equipes de execução por conta da maior produtividade que o sistema possibilitou.

Acredito que isso seja o que estamos esperando quando pensamos na industrialização de engenharia, e penso que desta vez teremos as obras à frente dos projetos obrigando que todos os projetistas trabalhem diretamente com modelos 3D (o que hoje é feito mais pela parte arquitetônica do que pelos projetistas estruturais).

Um grande abraço.

Ronaldo Mendes Salles

One thought to “Sua obra em 3D, vale à pena?”

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