RCC, recicle ou desperdice.

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Você já pensou no que é feito com os restos das construções e demolições? Infelizmente tenho de lhe avisar (caso não saiba ainda) que eles normalmente recebem os diversos fins e quase nenhum deles é um fim que seja saudável para o futuro de nossas cidades.

Somente na cidade de São Paulo são coletados por dia (em números oficiais) 17.000ton/dia de resíduos da construção civil (RCC). Esses resíduos temos esse encaminhamento:

  • 40% – destino correto
  • 32% – aterros misturados com os demais resíduos urbanos
  • 28% – aterros clandestinos e similares

A maneira mais “nobre” de destinação desse tipo de resíduos é a reciclagem, que se define como a desconstrução dos resíduos para que eles possam voltar a ser usados como agregados. Essa atividade de transformar o rejeito em um item vendável, que tenha utilidade real para a própria industria que o gerou é conhecida como valorização de resíduos. Como estudo de caso abordando a UVR – Grajaú.

Esta unidade consegue processar 3.000ton/dia de RCC, gerando agregados para construção de diâmetros ultrafinos, 0,5mm até 40mm de diâmetro. Estes agregados são comumente aplicados em obras de geotecnia (solos), pavimentação e concretos de resistências mais baixas. O uso atual desses agregados oriundos da UVR – Grajaú é para o uso na substituição dos materiais para corpos de ensaios em laboratórios, parcerias para produção de artefatos.

Geólogo Marcelo Alarsa na palestra no IE
Geólogo Marcelo Alarsa na palestra no IE

Por que reciclar?

Além da óbvia iniciativa ambiental, a resposta está bem no local que mais dói em qualquer empresa, o bolso. O custo para se dar um fim nos materiais residuais das atividades subiu demasiadamente nos últimos anos e com as políticas ambientais mais apuradas e rigorosas a tendência é subir ainda mais. Então é óbvio que se o preço sobe, cada vez se torna mais interessante o controle da origem desse tipo de resíduo.

Aqueles que já manifestaram a iniciativa de promover a separação de resíduos dentro de suas obras, já constatam suas vantagens. O custo para dar destino são muito variáveis, sendo que quando são separados obtêm-se valores mais baratos para os destinos de RCC em separado. Em casos na Europa constata-se que as caçambas de lixo de obra que não são separadas custam até $400,00 euros contra $150,00 euros das separadas.

Prof. Eng. Flavio maranhão representando as pesquisas feitas na USP
Prof. Eng. Flavio maranhão representando as pesquisas feitas na USP

Só agora é interessante?

A questão é que conforme foi destacado pelo Eng. Flávio Maranhão, os trabalhos extensos de aproveitamento dos resíduos tem se direcionado para a segregação dos materiais por origem, o que tem sido custoso e apresentado grande dificuldade de execução. Em contrapartida, temos a proposta aplicada na UVR-Guarujá, pois foi feito um estudo extenso que constatou a praticidade e funcionalidade de utilizar separação eletromecânica ao segregar os resíduos entre rochas e metais e depois moagem dos compostos rochosos misturados. Em uso como agregados em concreto não houve necessidade de ajuste no índice água utilizado, a resistência final à compressão em concretos até 40MPa não foi alterada ao se substituir os agregados em até 100% por RCC reciclados.

O que dizer?

Parabéns! É ao menos o que eu sinto vontade de dizer, já virou comum eu dar os parabéns para esse tipo de iniciativa, mas pessoalmente é no que eu acredito, que as pessoas precisam apresentar novas idéias, que estejam em implantação, ou já em funcionamento em pequena escala. Essas iniciativas tendem a incomodar o mercado e abrir novas fronteiras, criando novas necessidades. Moralmente espero que a construção civil possa se ajustar e progredir ao termo que mais gosto de falar a “indústria da construção civil” que considero muito atrasada.

Fonte: Palestra 17.10.2015 pelo Geol. Marcelo Alarsa e Prof. Eng. Flávio Maranhão

Imagens: Ronaldo Mendes Salles e http://www.odebrechtonline.com.br/

Um grande Abraço.

Ronaldo Mendes Salles

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *