Quando devo voltar para a escola?

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Reciclagem é importante, mas é a experiência que faz tudo ter sentido.

Coloquei esta frase logo no início do texto pra que se você ler somente isto, já está bom.

Recentemente me matriculei em um curso de estruturas metálicas. Sim, depois de dez anos de formado. Resolvi revisar e fazer uma especialização num modelo construtivo que não domino.

Não pretendo mudar de área, mas sim expandir meus horizontes. Esta geralmente é a frase que motiva muitos engenheiros recém formados a continuarem seus estudos. Algo que geralmente ocorre logo ao final da graduação.

Este movimento é louvável, pois mostra um profissional que provavelmente terá um preparo melhor. Porém me pergunto quanto disto será realmente aproveitado?

Apesar de minha pergunta parecer um tanto banal, vejo seus efeitos no cotidiano.

Sempre fui aquele tipo de aluno que queria saber de tudo. Curioso como sou, sempre me importei em absorver o que os professores passavam a cada aula. 

Mas mesmo com todo meu esforço, muito do que aprendi na faculdade só fez sentido depois de alguns meses exercendo a profissão.

Mais do que isso, muita da teoria aprendida na graduação foi gravada em meus procedimentos do dia-a-dia. Conforme os meses iam passando, a diferença entre o aluno que eu era e o engenheiro em que estava me tornando, aumentava exponencialmente.

Claro que como todos os profissionais, eu também escolhi uma área de trabalho.

O bom do estágio é que ele lhe permite moldar sua carreira para o tipo de trabalho/empresa qual você mais gostou ou conseguiu colocação.

Pela prática, vamos nos especializando. Com o tempo ganhei experiência para usar melhor toda a teoria, agora havia memorizado.

Estudei constantemente até hoje, mas todos os assuntos sempre pertencentes a minha área de atuação. Apesar de não haver nenhuma “revolução” na construção civil nas últimas décadas, há muito o que se estudar.

Desde que me realoquei profissionalmente aqui no Paraná, eu tenho me deparado com múltiplas soluções de estruturas. Boa parte dessas vezes, as estruturas estão fora da minha área de domínio.

Para tentar resolver este problema (e saciar minha curiosidade), me inscrevi em um curso de estruturas metálicas.

O interessante é que logo de início, reparei que estava mais fácil entender a aula (se comparado com minha experiência na graduação). Creio que isso se dê por alguns motivos:

  • Boa parte da teoria básica que rege os dois sistemas construtivos é a mesma.
  • Eu já estou acostumado aos procedimentos de dimensionamento, portanto se trata mais de adaptação do que aprendizagem.

E creio que esta seja a grande diferença do nível de aprendizado que adquiri na graduação. Enquanto lutava com os procedimentos e fórmulas que me eram apresentadas pela primeira vez. Eu não tive o tempo de fazer a conexão entre as diversas disciplinas e com isso meu aprendizado foi prejudicado.

Não que alguém vá se formar sendo pleno conhecedor de tudo aquilo que foi ensinado ao londo de meia década de estudos.

É sabido por todos aqueles que se aventuram na engenharia, que seremos e devemos nos expor a todo tipo de conhecimento e informação, à fim de que possamos moldar novos caminhos.

Mas que me faltava a vivência e a rotina para que pudesse absorver de forma mais plena o conhecimento.

Não posso falar por todos os engenheiros, nem por todos os cursos que existem hoje e que levam o nome de engenharia. Mas posso dizer para aqueles que desejam enfrentar a engenharia civil, que cursar engenharia não é fazer uma faculdade. Fazer engenharia é prestar um vestibular de 5 anos, onde você começa a estudar de verdade depois que recebe um diploma.

Um grande abraço!

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