Orçamento, missão impossível!

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Orçar é uma arte, alguém diria. Vamos ver alguns fatores que transformam o orçamento nesta arte complexa, que usa de muitos fatores internos e externos às empresas.

Level 1:

Quando se pensa em orçamentos creio que mais de 80% das pessoas pensem em orçamento familiar. Esta é uma referência válida, pois em um orçamento familiar existem metas de gastos e limites.  Com esses fatores se busca a compra/gastos mais eficientes. 

Apesar de sua validade como exemplo, este é somente um pequeno fator a ser levado em conta em um orçamento de uma obra.

Orçamentos geralmente começam com um projeto, mesmo que seja apenas um desenho básico. Pode ser necessária a contratação de um projeto para detalhar ou refazer o trabalho. Logo nesta etapa já temos uma questão de como cada tipo de solução oferecida em projeto muda os tipos de serviços necessários e seus volumes. (Mais deste assunto clique aqui!)

Além disso, obras de grande porte não costumam ser feitas dentro de grandes cidades, ou mesmo em sua proximidade. Então logo temos que ver mais alguns itens que serão acrescentados após a compra do material, como: entrega e armazenamento.

Até aí tudo ainda é muito fácil, então vamos dificultar mais um pouco. 

Vamos acrescer um dos itens mais caros, a mão de obra.

Level 2:

Nesta hora é que “a porca torce o rabo”, como diria minha vó. Pois há de se estudar a legislação tributária, direitos do trabalhador, INSS, sindicatos, alojamento, horas extras, viagens para rever a família, etc. Mas não acabamos, ainda existe o mais complicado, a medição e eficiência.

Medição é o dado onde se descobre quanto tempo de cada mão de obra é necessário para atividade. Para fazer uma forma é necessário X de madeira, Y de carpinteiro, Z de arame e assim por diante.

Estes dados são extremamente detalhados, então muitos não conseguem obtê-los de forma objetiva. Como resolver o problema? Simples, apelar para uma bibliografia. Existe uma bibliografia especializada nesse assunto que é a TCPO. Mas, orçar com uma bibliografia aberta provavelmente não irá lhe trazer uma vantagem em situação de concorrência.

Level 3:

A melhor maneira de evitar fatores de incerteza seria fazer um controle de efetividade do trabalho. Mas isso exige muita organização e controle estatístico, já que existem diversos fatores que diferenciam as obras e seus serviços.

A saída mais simples em todos os casos é tentar fazer um controle micro e não macro.

Traduzindo: ao invés de procurar a produtividade nos resultados das obras, é mais interessante fazer divisões de tipos de trabalho.

Ao invés de levantar todo o tempo e gastos na execução de um perímetro de alvenaria de 10m de altura pode ser mais interessante ter a divisão da seguinte forma:

Vamos supor que os operários de uma empreiteira sejam capazes de executar o assentamento de alvenaria até 3m sem a necessidade de equipamentos auxiliares significantes. Mas a partir dos 3m eles precisam montar andaimes e começam a gastar tempo em sua montagem, deslocamento e mobilização da matéria prima (os blocos). Porém quando ultrapassam os 6m de altura, chegam a precisar de uma empilhadeira para levantar a matéria prima, já que o transporte vertical é muito custoso e demorado. A empresa nunca executou paredes acima de 9m.

Neste caso, o serviço de assentamento de blocos de alvenaria poderia ser dividido nas seguintes etapas:

Alvenaria até 3m

Alvenaria de 3 a 6m

Alvenaria de 6 a 9m 

Desta forma poderia-se medir simultaneamente esses fatores em diversas obras, sem a necessidade de término do empreendimento para avaliação.

Vale lembrar que a divisão que citei é fictícia, sendo que cada empreiteiro deve avaliar quais os limites em que se necessita de mais equipamento para a execução do mesmo serviço.

Nunca subestime a informação!

O mundo atual é feito de dados e como cada um os controla. As empresas devem manter em mente, que o controle de dados e estatísticas é vital para a saúde financeira da empresa.

Quando uma empresa possui os dados, mas não estão organizados, é possível reverter o quadro e preparar dados para proporcionar um quadro estatístico de sua eficiência (mesmo que leve tempo).

Mas se não existem dados, não há como se recuperar e será necessário uma reestruturação na empresa que vise a obtenção dos mesmos no menor prazo possível, sem desperdiçar oportunidades.

Level 4:

Agora que já saímos do estigma do orçamento familiar e já falamos de produtividade, vamos à incerteza.

Antes que você se assuste com o termo “incerteza” essa foi somente a melhor tradução (e mais honesta) para a palavra risco.

A palavra risco representa mais a questão da variação na eficiência, porém a incerteza representa todos os fatores que estão fora da capacidade de controle. Para exemplificar, os fatores fora de controle são o clima, greves, acidentes, escopo diferente do orçado, etc. Bem, esta é a minha defesa para o uso da palavra incerteza.

Então para amenização ou balanceamento desses fatores, é usualmente adicionado um percentual, que de maneira empírica, protege a empresa.

O pode ser, pode ser bom?

Como você deve notar, se os fatores de incerteza não ocorrerem, o percentual adicionado se torna resultado positivo para o empreendimento.

O problema é que no mercado não tem ninguém bobo nem ingênuo. Todos os clientes estão cientes que esses valores estão acrecidos aos preços, e como ninguém gosta de assumir que haverão imprevistos no seu empreendimento. Por mais que isso seja uma grande mentira, tentam negociar um desconto ao ponto de retirar esse valor por completo.

Esta é justamente a maior besteira que fazem os clientes. Pois mostra a atitude comum da busca pelo preço acima de todos os fatores.

Não há uma fórmula correta infalível para a segurança dos empreendimentos, mas a busca inadvertida pelo menor preço é comprovadamente uma solução ruim.

Enfim…

Esta é uma breve disposição sobre os orçamentos e a dificuldade que encontramos hoje em conseguir a correta mensuração e negociação de um empreendimento.

Da forma como estamos dispostos no cenário nacional, os orçamentistas acabam por exercer um peso maior nas concorrências do que toda a capacidade técnica adquirida pela empresa. Portanto, deve-se pensar em como montar uma equipe, já imaginando que a prática do mercado tem sido de pega a obra por puco e se acerta no futuro.

Um grande abraço.

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