Onde você trabalha, importa!

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Vou começar sendo bem sincero sobre um erro que cometi em minha carreira.

Nunca me importei com a imagem e abrangência da empresa em que me coloquei. Para mim, trabalho é algo que se constrói aos poucos, com vontade e persistência.

Não que meu modo de pensar estivesse errado, mas ele me colocou em uma posição em que não almejava trabalhar em grandes empresas.

Mas o que isso importaria?

Simples, o valor do seu trabalho varia em muitos fatores.

Boa parte desses fatores são alheios ao seu trabalho.

Parece loucura? Sim (ao menos para mim), mas é exatamente assim.

Ser competente é importante, apresentar resultados pavimenta uma boa fama com seus colegas e superiores. A questão não é exatamente como você é conhecido dentro da empresa na qual trabalha, mas como é visto fora dela?

Você tem visibilidade nos concorrentes? As pessoas conseguem supor o grau de importância de seu trabalho?

Estas perguntinhas, aparentemente cretinas, podem fazer a diferença num momento de crise, ou numa oportunidade de troca de empresa.

Para algumas pessoas, a saída é distribuir currículos mesmo enquanto ainda está empregado. Para outros, é tentar formar laços com empresas parceiras, terceirizadas e clientes.

Não é brincadeira, me formei em 2006 e atuo de forma determinante desde 2005 no setor de engenharia. Sempre trabalhei com indústrias pesadas, projetos complicados.

Me acostumei a receber elogios por velocidade de raciocínio e tempo até uma solução ser adotada em crises.

Mas mesmo com um “bom conceito” nos locais onde trabalhei, eu era praticamente invisível no mercado.

Mesmo se eu me orgulhasse de todos os prédios para máquinas de celulose que projetei, nada mudaria.

Uma vez ouvi num filme a seguinte frase: “numa profissão onde idade é tudo, eu sou o mais jovem”.

Isso ocorre na engenharia como uma constante fatal. Muitas vezes afoga a energia dos mais jovens.

Não digo que não seja necessária uma boa experiência na profissão. Mas é fácil observar a frustração de ver que ninguém sabe que você é co-responsável por lucros bilionários, ou pela segurança de centenas de pessoas.

Currículo.

Um fato não pode ser negado. Quando se trabalha para alguém ou para alguma empresa que possui grande visibilidade, você pode aproveitar.

O curioso é que as empresas normalmente percebem com mais velocidade do que os funcionários.

Assim como existe um grande furor para entrar em alguma das universidades mais conceituadas, existe para as empresas.

Isso faz com que a seleção para vagas seja ainda mais difícil. (mas esse não era o tópico, se é que existe algum aqui.)

Todo esse bla, bla, blá era somente para afirmar a vocês como percebo a diferença agora.

Hoje posso afirmar que trabalho em uma empresa muito bem conceituada e conhecida na região em que atua.

Concordemos que mesmo empresas/pessoas podem ser muito bem conhecidas em certos locais e quase desconhecidas em outros.

O que noto de cara é que as pessoas me tratam diferente, pelo menos no início.

Geralmente existe algum tipo de carteirada quando você diz que é engenheiro. Mas isso vai além quando eu digo o nome da construtora onde atuo.

(aliás, não use “atuo” parece que você está fingindo e não trabalhando)

As pessoas abrem os olhos e começa uma seção de algo que não sei explicar. Parece algo bizarro, algo que não consigo entender (até hoje).

As pessoas começam a elogiar a empresa, falam bem, falam que admiram. 

Isso dura pelo menos até eu explicar que não trabalho com o setor imobiliário, mas com obras para indústrias.

E cai mais ainda quando digo que sou calculista/projetista/(o escambau a quatro).

É nessa hora que percebo que se eu fosse me apresentar como um engenheiro calculista (como faço de costume), eu seria provavelmente catalogado abaixo do que quando primeiro apresento onde trabalho.

Ainda estou estudando esse comportamento das pessoas. Imagino que se alguém me falasse que trabalha no Google, eu reagiria de forma parecida.

Creio que isso mostra como mesmo um serviço técnico, pode ser visto de forma tão diferente.

Pelo menos ganho algum moral até que me classifiquem como um nerd maluco.

Por isso minha conclusão por hora é que:

Mesmo que você não sinta que seu trabalho seja diferente, as pessoas farão isso por você.

Não sei por quanto tempo isso vai durar, ou quanto tempo poderei desfrutar desse “fenômeno”. Mas espero estudá-lo um pouco mais, se me for dada essa oportunidade.

Espero que você possa desfrutar das vantagens de ter seu valor percebido pelo mercado. 

Um grande abraço.

Ronaldo Mendes Salles

One thought to “Onde você trabalha, importa!”

  1. Muito bem escrito! Poucos tem esta visão! Já pensou destinar um pouco desta energia toda para estudar psicologia? Ela lhe dará ferramentas muito boas!

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