O vento se paga?

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Uma discussão que tem se espalhado por várias conversas que tenho acompanhado é se a geração de energia por meios “sustentáveis” paga o preço que custou em produzi-las.

Aqui vou abordar primeiramente a energia eólica.

A grande questão da energia eólica é sua dificuldade de produção, não produção do equipamento em si, que é bem complexa, mas a área disponível no planeta que possui características suficientes para uma geração contínua de energia. Não haveria muito interesse em um parque eólico que gerasse energia sazonalmente e ficasse boa parte de seu tempo em espera, até para o sistema de transmissão e regulagem da potência transmitida pela rede isso seria mais danoso que um benefício. Então voltamos a falar ,como na postagem anterior sobre este assunto, que somente 13% da superfície do planeta possui essa característica, o que já é bem complexo, pois apesar de não causarem perda de espaço tão gigantesca como as hidroelétricas, o afastamento necessário de zonas habitadas está ainda em estudo, mas hoje é de no mínimo 250m.

Fora a questão do espaço, os materiais são bem refinados e como toda a estrutura deve ser estudada para fornecer o menor arrasto ao vento e também a melhor eficiência para a velocidade estimada na região, o desenho das torres e pás é bem complexo. Toda essa personalização faz com que o “custo energético” seja alto para produzir uma torre (somando toda a energia necessária para produzir desde a matéria prima até o produto final). Em estudos com parques eólicos existentes foi aferido no entanto que a energia gerada ao longo da vida útil de uma torre chegue a 20 vezes a utilizada para produzi-la.

custo-por-mwO tempo de construção de um parque eólico varia de acordo com a potência planejada, um parque de 30MWh é de aproximadamente 18 meses (embora os fabricantes aleguem ser muito menor). O custo de centavo por MWh (megawatt horário) produzido é ainda em média maior que várias fontes de energia, mas mais barata que a geotérmica, solar e célula de hidrogênio.

A produção de energia é pequena em relação ao que se obtêm de outras formas mais antigas em operação no Brasil, como as hidrelétricas, nuclear e termoelétricas. No Brasil ainda há grande desejo de formar mais hidrelétricas, deixando outras energias de lado, pelo sucesso que é a usina de Itaipu. Mas o que não pode ser esquecido é que Itaipu é um caso raro, com uma bacia imensa, que faz até mesmo a maior usina construída no mundo na China produzir menos, que ela.

Apesar das dificuldades em obter localizações, dentre as tecnologias “sustentáveis” existentes hoje a eólica apresenta potencial para expansão, sendo o maior agrado aos ambientalistas, não ser necessária uma grande mudança geográfica na região. O trágico é saber que a eficiência de certas turbinas pode chegar a somente 35%, pela sazonalidade dos ventos. Comparando com outras obras, o tempo de instalação é muito reduzido, principalmente se comparar com a própria Itaipu que levou 10 anos pra ficar pronta e foi ser completa somente 23 anos depois do início das obras.

Fonte e imagens:

Energia eólica

 

Um grande abraço.

Ronaldo Mendes Salles

One thought to “O vento se paga?”

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