O pequeno mundo de Greer.

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Julia Greer é uma cientista realmente inovadora. Imagino que você tenha assistido algum filme onde as pessoas falam sobre algum material: “Você está vendo toda a quantidade disso que existe no mundo.” Por mais que essa frase seja impactante, pouco é creditada, já que não vemos isso acontecer, ou não víamos.

Enquanto todos os cientistas estão falando de melhorar processos, redescobrir materiais, inventar, Greer está modificando-os de acordo com sua vontade e isso em nível nanométrico. O trabalho que ela desenvolve é realmente minucioso. Imagine um bloco sólido de cerâmica, provavelmente você imagina que ele seja pesado em relação ao seu tamanho, mas e se esse bloco de cerâmica fosse bem leve, não seria estranho?

A questão é que sempre que desejamos reduzir consumo de material e peso, nós estudamos e produzimos estruturas que possuem material somente nos melhores pontos para absorção de esforços e não fazemos um sólido completamente fechado. Vamos usar a torre Eifel de exemplo, ela é aberta, permitindo que o ar passe entre sua estrutura, já se fosse sólida, seria um imenso bloco de aço com seu contorno e passagens de pessoas e elevador desenhados.

Isso é exatamente o que Greer está fazendo, ela modifica o arranjo do material e consegue com isso produzir vazios em níveis mais que microscópicos. O interessante, é que ao fazer isso, além da redução de uso de material, Greer acabou por reinventá-los. A cerâmica mesmo, ganhou mais flexibilidade, um bloco de alumínio tornou-se leve como uma pluma.

Este é um exemplo bem claro do que é um “material nanométrico” (infelizmente a expressão fica melhor em inglês), sendo que não são necessariamente compostos novos, mas sim a modificação da constituição física dos mesmos.

O processo é inovador e realmente merece a palavra, pois até mesmo os equipamentos utilizados foram desenvolvidos e alguns modificados pela cientista, para possibilitar o trabalho.

A produção atual é muito pequena e demorada, mas é possível estender os testes com pequenas amostras.

Uma das funções do projeto é conseguir formar estruturas de polímeros nesse tipo de escala para depois depositar o material original desejado. Seria como construir o material original nos espaços que sobram. Essa propriedade pode ser utilizada para a reconstituição de células em lugares onde houve o rompimento de tecidos e também para servir de base para a reconstrução natural de ossos.

Como está na moda, a industria automobilística e fabricantes de baterias já estão patrocinando o projeto para conseguir que Greer produza um protótipo de material a ser usado em baterias (o desespero do peso das baterias em carros elétricos ainda assusta). Neste caso a estrutura seria preenchida com metal.

A estimativa é que em cerca de 5 anos essa tecnologia esteja disponível de forma bem mais acessível e controlada, não mais um campo experimental.

Abaixo estou linkando os vídeos que encontrei da cientista Julia Greer. Infelizmente não estão legendados. Algo interessante que observei somente ao assistir os vídeos é que eles estão testando estruturas diferenciadas e não somente os materiais, o que no meu ponto de vista significa que eles ainda estão em um campo aberto com possibilidades demasiadas, o que pode prejudicar muito o real desenvolvimento de uma tecnologia específica.

Já quanto ao engenheiro civil que sou, é muito interessante ver que estão realmente testando estruturas nanométricas e vendo como se comportam mecanicamente, o que é um sonho para um engenheiro que tem de ficar estudando e debruçado em teorias e livros sem ter como produzir modelos escalados para testes.

Um grande abraço!

20151022_132555Ronaldo Mendes Salles

Engenheiro Civil

 

 

 

Fontes e imagens:

MIT Technology Review

California Institute of Technology

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