Mapeamento (in)voluntário

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Ao ler uma matéria do MIT sobre o mapeamento de estradas para carros autônomos, me deparei com algumas coisas um pouco estranhas.

Primeiramente vamos falar da matéria:

Uma empresa chamada Civil Maps está tentando fazer um grande esforço comunitário para que as grandes montadoras de veículos colaborem com o mapeamento de ruas e estradas.

Talvez você esteja pensando que eles estão solicitando uma frota de veículos com radares, câmeras e vários outros equipamentos de mapeamento, mas não é o caso.

A abordagem da empresa de mapas é pedir que as montadoras adicionem nos softwares dos veículos, um sistema que envie o mapeamento de GPS para o gerenciamento de mapas.

Como foi anunciado pela empresa, não adiantaria muito pedir apenas acesso aos modelos premium, que possuem vários sistemas de monitoramento, mas para um progresso real, seria necessário ter um volume de dados muito maior.

Dessa forma, todos os veículos emitiriam seus sinais para a empresa, que com o auxílio de sistemas de “machine learning” (sistemas em que programas tentam identificar padrões e avaliar quais informações). Isso implica na redução da qualidade da informação, mas um aumento absurdo em seu alcance.

O programa ficaria dividido entre dois tipos de sistemas: o primeiro contando com veículos equipados com sensores de alta tecnologia, fazendo o mapeamento mais detalhado e o segundo grupo, com apenas sensores de movimento, mostrando tendências de comportamento nas vias.

Com a adesão das empresas, seus carros fariam este trabalho e em contrapartida elas teriam acesso aos mapas gerados.

Algumas empresas (como a Ford) estão investindo na ideia e pretendem que em 2021 já possa usar esses mapas para fazer carros autônomos.

Até aí, tudo faz sentido, mas então…

Primeiramente a matéria cita a Google como grande atuante neste tema, mas ignora completamente a Tesla. A Tesla é a única empresa hoje no mercado que possui carros com funções próximas as de um veículo autônomo em teste nas estradas. Por quê foi deixada de fora?

Como se aplicarão as regras de proteção à informação particular? Já deu muito problema a captação de dados de smartphones de usuários de Android, meramente por ligarem seu Wifi ou GPS. Hoje a Google captura estes dados de forma arbitrária, sem permitir alternativa aos seus usuários.

As empresas do setor automotivo, vêm implementando seus sistemas de localização de veículos e auxílios ao motorista. Mas qual o direito dessas empresas em “vender” seus dados pessoais de deslocamentos para terceiras? Como fica o gerenciamento de protocolos de privacidade?

Para mim a questão faz sentido, pois concordo em disponibilizar meus dados à Google por motivos pessoais:

1- Quero usar seu sistema e fico condicionado a concordar com seus termos

2- Apoio o desenvolvimento da tecnologia que eles apresentam e os valores mostrados até agora.

Os sistemas de rastreamento das montadoras se encaixam nesses quesitos:

1- Me oferecem facilidade em serviços ou em caso de acidente

2- Me passam segurança se meu carro estiver em posse de outros.

Mas e se meus dados são “vendidos” para empresas quais eu não concorde que os usem? Como controlar? Que direito eles tem de fazer isso?

 

Discussões para um futuro onde cada vez mais o privado é público.

 

Um grande abraço!

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