Isonomia, isometria e seu dinheiro

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Talvez você tenha já se deparado com algumas dessas palavras anteriormente. Isonomia você deve ter ouvido de uma forma bem triste, quando é usada como argumento para aumento de salários da máquina pública. Isometria talvez seja mais difícil, quem sabe em uma aula de geometria, perdida em sua memória.

Mas vamos ver um pouco mais dessas duas palavras e ver o que elas têm a ver com o gasto do seu dinheiro.

Primeiramente Isonomia é o tratamento igual das coisas ou pessoas. Não há distinção de valores, privilégios, mesmo se tiverem uma posição mais elevada em algum tipo de hierarquia.

Isometria é a correta igualdade entre distâncias, posições, portanto, acesso.

Com isonomia e isometria você se encontraria em igualdade de posições com qualquer outra pessoa próxima a você (pelo menos em termos de direitos).

Quando falo de ser tratado de forma igual, ou ter oportunidades iguais não estou citando comunismo ou algo parecido, apenas posicionando que você teria acesso aos mesmos tipos de serviços e produtos, compra-los ou não é sua decisão e responsabilidade.

O curioso é que normalmente quando pensamos em termos de igualdade pensamos em padronização macro. Vamos decidir um produto, uma campanha, uma oferta, uma solução, que seja para todo o território nacional, que tal?

Provavelmente esta proposta seria uma das mais desiguais. Isso porque a infraestrutura, cultura e portanto, o modo de pensar das pessoas varia demasiadamente.

Se você se depara com pessoas de diversos hábitos diferentes na sua região, imagina quando se desloca geograficamente algumas centenas de quilômetros.

Portanto, a forma mais adequada de atender às pessoas é compreender sua posição local e oferecer produto, campanha, oferta, solução, que possa ser interessante para aquela região.

Vamos ver se você já viveu isso:

Ao entrar em uma loja que venda produtos do ramo de infraestrutura de comunicação (telefonia e internet), você logo recebe algum panfleto ou lê vários cartazes com planos e promoções na parede.

Mas ao tentar contratar esses planos, descobre que eles não estão disponíveis para sua região, não importa o que você faça.

Outro dia você vai às compras e descobre que a mesma loja tem preços diferentes entre sua loja virtual e a física. Mas que se você mostrar o preço da loja virtual (que geralmente é mais barato), eles cobrem.

Em uma viagem não muito planejada você precisa reservar um hotel no mesmo dia em que chegou, e vai pagar a tal “taxa de balcão”, que chega a ser três vezes o valor da reserva normal.

Estes são casos comuns, que estão a nossa volta no dia a dia.

Pode não parecer, mas todos estes exemplos são casos que fogem do bom senso, mesmo sendo consideradas práticas comuns de mercado.

No primeiro exemplo, é normal para quem está longe dos grandes centros se deparar com propagandas de produtos que estariam disponíveis em território nacional, mas não estão.

A propaganda por meios mais abrangentes como a TV ou revistas de circulação nacional é compreensível. Mas o que dizer de permitir a chegada de material de propaganda até uma loja que não possui o produto?

É como ver no cinema um trailer de um filme que não estreará no Brasil. Não faz sentido.

Sobre o segundo exemplo, como poderíamos explicar? A questão não está na diferença de valores entre lojas virtuais e físicas, já que ambas possuem custos operacionais bem diferentes, seria comum ver práticas de preços diferenciadas.

O que não chega a fazer sentido é que as lojas físicas cubram o valor da plataforma virtual. Geralmente isso não ocorre quando o sistema de expansão da marca é por franquias, pois seria difícil controlar lucros e repasse das lojas individualmente.

Mas se não há uma separação entre os custos da loja física e da virtual, se a administração é a mesma, qual o motivo dos preços mais elevados nas lojas? Isso sempre me pareceu um método de cobrar mais de pessoas que tenham menor acesso à informação ou tecnologia.

O mesmo se aplica ao último exemplo, onde o cliente se vê obrigado a pagar mais caro por um produto que está disponível.

Com o uso de aplicativos agregadores e sites é possível ter maior controle sobre o preço, assim como fazer reservas mesmo durante o curso de uma viagem. Tudo para que se evite pagar uma tarifa que dificilmente se consideraria honesta.

Particularmente penso que a localização oferece mais vantagens que desvantagens.

Sempre há o medo de que o desenvolvimento não acompanhe outras localidades quando se reduz a comparação entre estados e cidades mais desenvolvidas dentro do próprio país.

Mas quanto a isso, peço ao meu querido leitor brasileiro que se atente que sabendo como é nosso país, não devemos nos espelhar em cidades vizinhas, mas sim em patamares mais elevados.

Quem sabe olhar para outros países. Porque ao ver dessa forma, mais interessa que sejamos rápidos no desenvolvimento, para que possamos chegar nos patamares que tanto “invejamos” e não apenas nos inserirmos no “ecossistema” nacional.

Um Grande abraço.

Ronaldo Mendes Salles

Engenheiro Civil – Fundador do Engenheiro de Pijama

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