Imprimindo em 3d seu próprio caminho

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Impressoras 3d ainda são muito discutidas no momento, assim como drones, mas essas ferramentas parecem encarar barreiras muito complexas com o passar do tempo. Dentre as barreiras existe uma que muitos cientistas classificam como a maior barreira a ser transposta pela humanidade, a gravidade.

Por causa da gravidade o que vemos hoje são apenas impressoras 3d funcionando como meras lançadoras de concreto. Claro que bombeiam material para um ponto com mais precisão e um material com características de secagem/cura/enrijecimento diferentes do concreto que se usa normalmente. Vendo as formas de impressão e as idéias mais estranhas e algumas geniais vinda de construtores chineses, para promover a construção civil com impressoras, sempre coloquei alguns obstáculos óbvios para a prática ampla desses métodos.

  1. Incapacidade de aplicação de diversos materiais em conjunto: a construção utiliza em sua maioria concreto armado, ou seja, tem de haver aço complementando as deficiências do concreto
  2. Altura do equipamento: Como fazer a construção de algo muito alto sem que o equipamento tenha de ser um “monstro” por si só.
  3. Clima: como fazer para que o equipamento possa trabalhar em qualquer circunstância, já que esse tipo de tecnologia certamente terá um custo muito grande para ficar parado esperando a oportunidade de trabalhar.

É claro que estou sendo simplista na avaliação de risco, já que existem diversos subitens para cada um dessas perguntas primordiais para a viabilidade do sistema. Para ser bem sincero somente tinha resposta para o problema #2, já que existem sistemas de formas deslizantes que poderiam atuar de forma parecida, ao invés de subir a forma, subiriam a impressora, mas para os problemas #1 e #3 não via solução.

Como disse eu não via solução, agora vejo. Há anos um grupo interessante de pessoas obstinadas que conseguiu grandes passos para o futuro das impressões em 3d.

O primeiro grande problema foi solucionado através do desenvolvimento de uma liga metálica especial criada pela universidade de Delft, que alega ser tão resistente quanto o aço de construção, mas que possui a capacidade de ser adicionado em “gotas” possibilitando a construção de estruturas em diversos ângulos. O que significa que a ponta do braço do robô atua como um equipamento de solda que derrete o material que fica armazenado em forma de bobina e é depositado em pequenas doses, uma sobre a outra.

Mas o robô também tem mais uma característica interessante, diferente das impressões 3d que estamos acostumados a ver, ele não possui uma base fixa. Ele se desloca através de um trilho que pode ser feito por ele mesmo. Aí sim temos realmente uma máquina que está fazendo seu caminho por conta própria.

Quanto ao problema do clima, isso ainda está sendo analisado, não somente o clima, mas irregularidades no terreno, pessoas arremessando garrafas nos robôs (sim estão fazendo este estudo) e outras variáveis, como o comportamento do material.

Depois de várias demonstrações práticas e construção de esculturas para provar o funcionamento do sistema, a MX3D conseguiu autorização para construir uma ponte de pedestres em Amsterdam com aproximadamente 7,2m de extensão. A duração estimada é de 2 meses de execução, começando em Maio e ficando pronta em Setembro de 2017.

Expectativa!

Então, eu sinceramente que toda essa propaganda se mostre o grande avanço que parece representar. Mais do que apenas existir uma ponte feita de forma autômata, esse pode ser o primeiro passo para a construção automatizada, pois vemos muitos avanços de maquinário na construção civil, a maioria com grande ganho de produtividade, mas muito pequenos em relação a automatização dos processos (como bombeadoras de concreto que reduziram muito o tempo, mas pouca tecnologia envolvida no processo). No meu ponto de vista esta é uma tecnologia com grande potencial disruptivo (aprendi essa à pouco tempo).

Mais informações:

FastCo Design

MX3D

Um grande abraço.

Ronaldo Mendes Salles

One thought to “Imprimindo em 3d seu próprio caminho”

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