Foto e profundidade

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Pontos interessantes da palestra do Eng. Douglas Miranda no IE.

Já falei aqui no site sobre os tipos de levantamentos de terreno/território que existem na atualidade, sendo que estamos exaltando muito as novas tecnologias como os levantamentos a laser, mas este é somente o desenvolvimento por parte de hardware. No que consta aos softwares já à algum tempo está disponível no mercado um grupo de softwares que usam algoritmos bem complexos para sobreposição de fotos. Seria algo como o sistema passivo apresentado na outra palestra desse tipo de assunto, desta vez utilizando tecnologias mais acessíveis do que me pareceria viável.

Hoje em dia utilizamos câmeras que salvam arquivos em extensões (foto.jpg, foto.png, etc) que já são capazes de carregar diversas informações embutidas, como modelo da câmera, distância focal, posição GPS, etc, imagina se pudéssemos utilizar essas fotos que podemos bater com câmeras profissionais comuns e simplesmente processá-las para a criação de um modelo tridimensional de uma grande área? Isso já é possível hoje e não é exatamente novidade.

O sistema precisa que certas condições sejam atendidas para que tudo ocorra corretamente:

  • galeria com fotos terrestres e de sobrevoo
  • utilização de pontos de controle fixos marcados com GPS de precisão
  • não se aplique zoom digital
  • sequencia de fotos tiradas com a mesma sensibilidade (ASA)
  • sobreposição mínima de 50% entre fotos
  • não se altere a distância focal durante a sequencia
  • quantidade de fotos proporcional ao nível de detalhe dos prédios

Como é um sistema por software ele necessita de um longo tempo de processamento para produção do modelo, que pode ter saída final de resultado por nuvem de pontos, malha 3d e ortofoto, todos com acabamento visual realístico, pois usam as fotos como textura.

O uso hoje é para formação de “as built” cadastro de obras, simulação de equipamentos existentes para fazer a engenharia reversa, modelagem de grandes paisagens para inserção em jogos, modelagem de cidades para cadastro de obras, medição de impactos ambientais. Como é possível reparar, as aplicações são muito variadas e não se tem exatamente um limite para que não surjam mais.

Várias cidades fora do Brasil estão aplicando um conceito muito interessante, eles estão solicitando que a entrega/apresentação de projetos para aprovação seja feita com um modelo que represente não somente a estrutura do edifício avaliado, mas também a área que o contorna até certa distância. Com a integração de outro software já é possível obter as modificações da incidência solar nos vizinhos após o término da obra. Isso tem obrigado os projetistas a usar metodologias que permitam esse mapeamento de forma mais ágil e com custo mais baixo. Sim, em um trabalho de levantamento de grande área, o custo dos equipamentos é tão grande que o valor dos softwares é secundário. Com este método de trabalho, o custo dos equipamentos é tão inferior, que torna-se atrativo.

 

As aplicações práticas são as mais curiosas, em Melbourne – Austrália a Vodafone fez todo o mapeamento da cidade para estudar durante sua ampliação as áreas que ficariam sem cobertura e planejar novas torres de transmissão. No Japão, já havia um modelo da cidade de Fukushima antes do tsunami, que havia sido solicitado por um canal televisivo com o objetivo de usar para fundo do plantão de notícias. Porém com o acidente natural, o modelo ganhou serventia, pois em horas foi possível fazer um novo levantamento e calcular com precisão a área que foi destruída no evento. Na visita papal nos EUA, foi feito um trabalho rápido de modelagem em 3 semanas para a elaboração do esquema de segurança e também montagem dos palcos. A Vale utiliza o sistema para fazer o balanço diário de suas reservas de minério de forma a controlar tudo com velocidade muito maior, passando de um trabalho de 3 dias para um trabalho de 2 horas.

Ao final da palestra, perguntei sobre o funcionamento para cobertura interna de edifícios industriais para acompanhamento de obras e o Eng. Douglas afirmou que é possível essa utilização e que o serviço não demoraria mais do que algumas horas.

Está aí lançada a ideia de trabalho de uma das gigantes de softwares voltados para infraestrutura. Desenvolver softwares capazes de reduzir com precisão muito interessante os custos dos processos clássicos e também das novas tecnologias, que normalmente tem grande custo de implantação até sua consolidação.

Um grande abraço.

Ronaldo Mendes Salles

 

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