Estoque o vento, mas longe de mim.

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Já esclareço que não estou aqui para condenar a energia eólica, já que quem defenderá a geração de energia por meios fósseis, que gera toneladas e toneladas de gases tóxicos na atmosfera? Ou quem irá afirmar que a geração por meios hídricos que passa por uma grande discussão ambiental pela perda da área alagada, afetando gravemente ecossistemas e ainda proporcionando a ocupação de terreno é tão inocente assim? Sim, todas os meios de geração de energia possuem suas desvantagens e aqui somente vamos explorar um pouco as características que tem sido levantadas recentemente sobre a energia eólica.

O problema é que o vento não é uma constante, há muita variação no seu fluxo e com isso a geração sempre é comprometida. Para que a produção seja constante, é necessária uma velocidade de 7m/s regular (cerca de 25km/h), o que acontece em apenas 13% da superfície do planeta (Organização Mundial de Meteorologia)

De acordo com ambientalistas e cientistas que estudam o assunto as hélices são acusadas de vários fatores (Revista Engenharia #625/2105 – Análise do impacto ambiental causado pela geração de energia eólica):

  1. Impacto na fauna
  2. Ruído
  3. Impacto na paisagem
  4. Uso da terra
  5. Interferência eletro magnética

IMPACTO NA FAUNA

torre x avesFoi explorado pela reportagem/artigo a quantidade de aves que se chocam diretamente com os equipamentos instalados, comparando-se com outras mortes de aves por choque com estruturas ou objetos, o resultado é óbvio, as torres tem menor impacto que estruturas urbanas (que usam materiais reflexivos ou transparentes que são armadilhas para as aves), torres de comunicação e a presença de veículos de tráfego nas imediações. Portanto eles consideram que este impacto é quase irrelevante mediante as outras causas de mortes desses animais.

O caso mais trágico e relevante para a discussão ocorreu na Espanha, onde foi instalado um grande parque eólico justamente na rota de migração de aves. O resultado como esperado foi um massacre de milhares de aves, inclusive algumas em risco de extinção.

RUÍDOS

Ruídos gerados pelas torres só são significantes em dois aspectos: o primeiro é se a proximidade das torres não permitir dissipação do som que é causado pelo vento colidindo nas pás e o infrasom (som abaixo de 200 hertz) não audível.

O som das pás, pode ser reduzido com o uso de um estudo mais aprimorado de aerodinâmica ou o espaçamento maior das torres, que leva mais tempo e custa mais caro. Essa preocupação é válida pois o som gerado desta forma pode chegar ao som interno de um escritório ondem existem pessoas conversando, digitando, máquinas leves operando, etc. Não exatamente o retrato da paisagem mais pacífica e relaxante.

O caso do infrasom é muito mais grave, pois foi constatado que ele causa problemas severos ao médio prazo, pessoas expostas a 14 dias à este fenômeno já sofrem de dores de cabeça, tontura, náusea, zumbido no ouvido, perda de concentração, etc. A lista é longa e existem alguns debates sobre a distância apropriada dos parques de geração de energia eólica para as residências. Enquanto a agência ambiental e da matriz energética francesa pede mínimo de 250m, a academia nacional de medicina da frança e do reino unido pede 1500m. Nesse ponto sinto vontade de voltar ao primeiro item, pois como será que esses efeitos ocorrem na fauna? Não tenho conhecimento de nenhum estudo na área.

IMPACTO NA PAISAGEM

Este é o item mais irrelevante no momento, pois como as torres geradoras são escassas, acabam se tornando um cartão postal. O fato de não produzirem resíduos também acabam por aguçar a curiosidade das pessoas, fazendo com que esse impacto gere bônus e não ônus na situação atual. Mas vamos ver o que acorrerá nas próximas décadas ante da possível popularização dos parques eólicos.

USO DA TERRA

A produção de uma fazenda de vento gera em torno de 14MW/km², isso só quer dizer que há muito espaço livre que pode ser aproveitado e normalmente o é. Os empecilhos são localizados como a base das torres e as linhas de transmissão da energia gerada. O cultivo escolhido para a área não deve ser de árvores para que não influa no fluir do vento pelas torres de geração de energia.

INTERFERÊNCIA ELETROMAGNÉTICA

Essa pode ser novidade para muitos, mas faz sentido se imaginarmos como nossos sistemas de comunicação funcionam em pontos subterrâneos ou dentro de nossas residências. Barreiras físicas são grandes empecilhos à transmissão de dados, ainda mais quando estão em movimento. O material das pás das torres, pode ser alterado para fibra de vidro ou equivalentes que gerem menor interferência nos sinais de comunicação, novamente o custo se eleva.

E aí, o vento vale?

parque lotado Bem, a conclusão óbvia já delineei no início da postagem, a energia eólica não está em risco de extinção nem envolvida em alguma polêmica que a deva tornar impopular. Mas o problema é que os efeitos da utilização dessa energia não são plenamente conhecidos, existe o efeito de barreira, que já ocorre nas cidades, onde há uma mudança climática relevante pela alteração no fluxo do vento. O acréscimo de parques eólicos pode causar efeitos parecidos em menor escala, o que precisa ser avaliado, por mais que isso pareça exagerado (e eu espero que seja) o clima não tem sido um grande aliado da humanidade nos últimos anos  e a causa provável é a própria intervenção humana no cenário. Alterar ventos, pode acarretar num novo fluxo de umidade, mudança de fenômenos de pressões e alteração de chuvas. Tudo é conjectura e a curto prazo nada deve ocorrer, mas ao longo das décadas por vir teremos nossas respostas.

Um grande abraço.

Ronaldo Mendes Salles

 

One thought to “Estoque o vento, mas longe de mim.”

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