EPC o drama dos pacoteiros #1

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Olá, esta é a primeira matéria que estamos fazendo sobre o regime de EPC. Ainda não sabemos quanta matérias serão, mas vamos produzindo material para compartilhar. Vamos lá!

Talvez você se confunda com a sigla EPC (engineering, procurement & construction) mas como a sigla em inglês denuncia, não estamos falando de equipamentos de proteção.

EPC um dos modelos de contratação mais adotados por grandes indústrias para aplicar em concorrências.

Indústrias de grande porte normalmente tem muitas interfaces com que lidar, mas raramente possuem departamentos técnicos dessas áreas. Muitas vezes, estas empresas não enxergam a necessidade de manter especialistas de áreas que não estão diretamente ligadas à sua área de atuação.

Por exemplo, uma empresa de siderurgia não veria necessidade de manter uma equipe de engenheiros civis tempo integral em sua folha de pagamento. Mas vamos supor que esta empresa faça reformas ou ampliações constantes, será que não seria melhor ter uma equipe para gerenciar estas obras?

A prática de mercado acaba sendo um belo Frankenstein, já que para suprir as necessidades de diferentes áreas, exercidas por diferentes empresas. Não que a questão fosse ser muito diferente se essa estrutura fosse absorvida pelo cliente final, mas ao menos não teríamos empresas especialistas em uma área sendo “obrigada” a avaliar todo um pacote.

O sistema de EPC nada mais é do que a terceirização da administração de um empreendimento. Em teoria, o cliente que contrata em modelo de EPC somente conversa com uma única outra empresa, que por sua vez gerencia todas as outras.

Este modelo tem algumas desvantagens. Uma delas é que acaba se formando uma grande árvore de empresas. Quando empresas se colocam administrando o trabalho de outras é cobrado um valor para esta administração (o que seria totalmente correto). Mas a realidade é que além deste custo, as empresas repassam também uma incerteza de valores e um fator de risco percentual é aplicado no preço. Se tivermos uma sequência de subcontratações de 3 níveis e em cada nível houver 5% de incerteza, teremos um custo muito elevado, vamos para um exemplo.

A empresa 1 contratou a empresa 2 que por sua vez contratou a empresa 3. Em nenhum dos casos houve terceirização das suas funções, apenas o critério de pacotes foi aplicado em vários sub níveis.

(A) Empresa 1: escopo 10.000 + escopo da empresa 2

(B) Empresa 2: escopo 5.000 + escopo da empresa 3

(C) Empresa 3: escopo 2.500

Vai começar o jogo!

Empresa 3 passa seu valor para empresa 2 que joga mais 5% (125,00) no preço que recebeu e repassa para a empresa 1. A empresa 1 por sua vez se prepara, avalia e coloca também mais 5% (381,25) no valor da empresa 2 e aí repassa o valor pro cliente.

Valor final: 18.006,25

Valor total acumulado de administração da empresa 3: 256,25

Valor total acumulado de administração da empresa 2: 250,00

Valor total das administrações: 506,25 

Considerando a administração o aumento no valor final da proposta é de 2,89%

Você pode pensar que 2,89%não é muita coisa. Eu concordaria com você, se não estivéssemos falando de projetos que completos chegam à soma de R$7 Bilhões. Neste caso, os míseros 2,89% representam um valor total de R$202,3 milhões. 

Mesmo em parcelas menores, muitas vezes os custos de projeto estrutural chegam a valor de 3% do custo da construção e mesmo assim, quem paga considera caro.

Existem maneiras de reduzir esse tipo de custo, mas vamos tratar disso na próxima semana.

Um grande abraço!

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One thought to “EPC o drama dos pacoteiros #1”

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