É melhor ter… seguros.

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Primeiramente me desculpe pela piadinha no título, mas vou tentar passar para você os pontos principais da palestra ministrada pelo Eng. José Carlos Muniz Falcon no Instituto de Engenharia sobre a visão de um engenheiro no mercado securitário.

Primeiramente é melhor explicar o que tem de relevante no assunto. Uma apólice de seguro de obras necessita de uma avaliação mais minuciosa, acompanhamento, inspeção de falhas e avaliação de dano nos casos de acidentes.

Foi interessante logo no início, quando o palestrante já explicou que os seguros de grande porte acabam não sendo segurados somente por uma empresa seguradora. Eles podem ser divididos em duas modalidades:

  • Cosseguros
  • Resseguros

Cosseguros são aqueles seguros de valor alto, mas são divididos diretamente pelas empresas participantes em partes pré-definidas, podendo ser iguais ou não.

Resseguros é quando uma seguradora compra a carta do seguro da outra, fixando quanto do seu limite ele irá utilizar. Um exemplo é uma seguradora americana, ressegurar o seguro que um banco brasileiro tenha vendido, ficando dessa forma o banco brasileiro responsável apenas pela parte que não revendeu.

Todos os seguros são regulados pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), que controla os tipos de produtos que podem ser comercializados.

Uma dúvida que sempre tive sobre seguros era o quanto do valor pago está estatisticamente dentro dos valores a serem ressarcidos e os percentuais seguem abaixo:

  • AUTOMOBILÍSTICO – 63%
  • PESSOAL – 30%
  • PATRIMÔNIO – 30%
  • TRANSPORTES – 60%

Com isso fica claro que o maior ganho relativo das seguradoras vem com a venda de seguros pessoais (vida) e de patrimônio (casas, prédios, etc).

Um engenheiro de seguros pode trabalhar em 3 áreas  dos procedimentos:

  • Avaliação
  • Diagnóstica
  • Risco

Avaliação é bem simples e pode ser dita como somente o levantamento de tudo aquilo que será segurado. Em vários casos, também é responsabilidade desse profissional definir quais partes precisam ser seguradas (em uma obra, as fundações não necessitam de seguro, então não entram na cobertura).

Diagnóstica é a parte onde se realizam as inspeções para averiguar se tudo está conforme a descrição da apólice, causas prováveis em caso de sinistro e consultoria em geral.

Risco é onde pode-se avaliar não somente a probabilidade de ocorrer um problema, mas também se existe alguma medida que se possa tomar que reduza o risco da ocorrência de uma tragédia. O papel da avaliação de risco também é a de determinar os impactos indenizáveis em caso de sinistro.

Foram citados dois exemplos de seguros no mercado brasileiro:

UHE Jirau (Usina Hidroelétrica)

Depois de avaliadas todas as fontes possíveis de riscos no caso de rompimento da barragem, etapas de obra e falhas de funcionamento, foi atribuído um seguro que se somadas todas as partes chega a 800 milhões de dólares.

Plataforma P36 da Petrobrás

A plataforma que afundou por uma explosão ocorrida por uma falha de procedimento na operação da mesma, causou que o valor de seguro que a Petrobrás fazia passou a ser 5 vezes mais caro.

O exemplo da Petrobrás mostra como a quebra de confiabilidade de uma empresa pode mudar drasticamente o modo como o mercado a vê.

Aproveitando o momento ficou a pergunta no ar, lancada pelo próprio palestrante: Qual a cobertura de seguros que a Samarco teria contratado para suas barragens? Será que foi feita a correta avaliação de risco?

Avaliando tudo que foi dito na palestra, tendo que esse é um resumo muito simples, percebi que muito foi falado das avaliações que as empresas seguradoras podem fazer, o que me levou à uma pergunta: Pode uma empresa seguradora, ditar algum fabricante em específico de quem o cliente seja obrigado a comprar, mesmo que todos estejam sob as mesmas normas de fabricação e desempenho? O Eng. José Carlos foi claro em afirmar que é uma anomalia de mercado e não deve ocorrer.

Espero que isso seja uma anomalia mesmo, embora eu tenha me deparado com essa anomalia várias vezes nos últimos 10 anos.

Um grande abraço!

Ronaldo Mendes Salles

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