O MIT foi superado?

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A publicação da lista das melhores faculdades no mundo feita anualmente pela U.S.News & World Report conquistou um destaque especial esta semana. Tudo pelo MIT (Instituto de tecnologia de Massachussets) não ter ficado com a primeira posição no ranking global da engenharia. Mas mais que isso, ela foi ultrapassada por uma universidade chinesa a Tsinghua.
A universidade chinesa com sede em Pequim não é a melhor global (ocupou a posição 59 no geral), mas estar à frente do MIT justo na área de engenharia é algo louvável, principalmente em um regime ditatorial (como foi exposto na matéria publicada no site do IE).

A conquista não é nada senão uma consequência socioeconômica da posição da China em relação ao mercado mundial. O planejamento chinês de absorver décadas em poucos anos, fez com que tanto investimento fosse direcionado para a infraestrutura do país que isso aqueceu diretamente o mercado da engenharia, o principal responsável pelo desenvolvimento dessa área. A aquisição de equipamentos diversos e as necessidades criadas demandam muito conhecimento e criam ainda mais perguntas que devem ser respondidas, fomentando muito as discussões nos mais diversos ambientes da engenharia.

Me sinto dividido ao parabenizar os chineses, pois como muitos já fizeram, sinto à vontade de proteger o MIT e falar que a conquista é passageira e questão de método de avaliação, mas não me sentiria à vontade rejeitando o esforço de um país que está sedento por produzir e por saber.
O argumento americano contra a conquista chinesa é que o número extenso de publicações por eles produzidos é de caráter pouco relevante, só é intenso em quantidade. Realmente não tenho como argumentar sobre o assunto, só posso dizer em favor dos chineses que a agência que fez os levantamentos foi a Reuters através de dois sistemas inCities™ e o Web of Science™.
Ao que me lembro houve um grande direcionamento de profissionais de alta capacidade técnica que se deslocaram para a China visando participar ativamente das necessidades estruturais da “reconstrução” do país.
Desta forma gosto de pensar que foi uma vitória acadêmica, pois a constatação mais pessimista possível sobre a publicação só revela a quantidade crescente e assustadora de trabalhos acadêmicos que estão sendo desenvolvidos atualmente

Entenda mais sobre o levantamento:

Para obtenção dos resultados foram utilizados dados arquivados e obtidos entre os anos de 2009 e 2013 para novos trabalhos e citações ocorridas até Abril de 2015.

As publicações totais em engenharia ficaram em quarto lugar, logo abaixo de Medicina, Química e Física respectivamente.

Os pesos utilizados foram os seguintes:

Pesquisa Global – 12,5%

Pesquisa regional – 12,5%

Publicações – 17,5%

Padronizações/Normatizações – 7,5%

Citações  totais – 12,5% (para matérias como engenharia as citações tiveram peso reduzido, pois engenheiros citam outros trabalhos usualmente para questioná-los e não para mostrar sua consolidação)

Publicações entre as 10% mais lidas (total) – 17,5%

Publicações entre as 10% mais lidas (%) – 10%

Colaboração internacional – 10%

Os valores dos resultados foram escalados de forma que o pior colocado de cada categoria tivesse 0 (zero) como pior nota e o melhor avaliado tivesse 100 como melhor nota.

 

Um grande abraço.

Ronaldo Mendes Salles

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