Confidencial ou pública? Como será sua pesquisa?

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Estive recentemente em uma palestra sobre concreto auto-cicatrizante (sim ele realmente existe). 

Além do conteúdo principal, um outro assunto me chamou a atenção. O palestrante, falava repetidamente de como a forma com que ele trabalhava, mudou ao ingressar em uma carreira acadêmica.

Apesar de já estar envolvido com pesquisa e desenvolvimento, praticamente todas as publicações de seu trabalho eram sigilosas. Continham uma boa parte daquilo que poderíamos chamar de segredo industrial.

Então, ele foi “treinado” a sempre escrever relatórios que de fato (como ele mesmo disse) omitissem partes substanciais de seus resultados.

Não é algo complexo de se entender. Cada novo produto ou mesmo uma falha, se divulgada, provoca um avanço para os que vierem depois de você, eles podem não errar no mesmo lugar.

Então as informações das pesquisas que eram divulgadas pelas indústrias eram incompletas e ineficazes para colaborar com o avanço tecnológico.

A sensação de exclusividade, valia mais do que o mero marketing de um avanço tecnológico anunciado abertamente.

De fato, as empresas costumam utilizar a exclusividade de uma descoberta para provocar ganhos, que justifiquem as despesas de pesquisa.

Mas até onde vai o interesse dos pesquisadores? O que eles desejam que seja feito de suas pesquisas?

Exatamente este é o ponto onde ocorre a divergência entre pesquisadores.

Apesar de em todos os casos haver avanço científico, acredita-se que as pesquisas abertas potencializam a velocidade de propagação dos resultados.

Em contrapartida, as pesquisas sigilosas que chegam a desenvolver novas tecnologias (vendáveis), geram uma movimentação por parte de várias concorrentes para chegar em um resultado parecido.

Qual o método que mais acelera o desenvolvimento? Seria uma pesquisa aberta ou uma sigilosa?

Nos contatos que tive com pesquisadores do setor acadêmico, sempre os vi defenderem pesquisas abertas. Afinal de contas, estas pesquisas são aquelas que movimentam fóruns, produzem “papers” e são largamente reestudadas e verificadas.

Mas e as colaborações abertas entre universidades e empresas?

As pesquisas em universidades em sua maioria são feitas por pesquisadores que dependem da divulgação de seus trabalhos. 

Seja por motivo de um mestrado ou doutorado, ou meramente para ampliar sua produção de material científico.

Nestes casos, há de ser bem estabelecido qual a  vantagem resultante para a empresa financiadora. O que vejo ocorrer, é que as empresas desfrutam de mais tempo de desenvolvimento de seus produtos. Desta forma elas já chegam com resultados enquanto os demais concorrentes estão ainda nos estágios iniciais de pesquisa.

A divulgação do material antes da finalização da pesquisa é inevitável. Assim como diversos projetos e pesquisas patrocinados por empresas como a Google , Tesla, SpaceX, etc.

Apesar do risco de alertar seus concorrentes, a divulgação acelera o conhecimento generalizado do assunto, de forma que outras linhas de pesquisa podem ser formadas.

Também é de interesse dos pesquisadores que isso ocorra. Em geral, isso faz com que pessoas com algum conhecimento válido, possam se reunir aos esforços.

E a tal patente?

Com certeza você se perguntou: Mas não é só patentear?

Sim! este é o meio mais utilizado por pesquisadores e empresas para garantir direitos e ganhos sobre os resultados.

Mesmo que algumas empresas desejem desenvolver pesquisas relacionadas, sempre haverão as que desejarão utilizar os materiais já desenvolvidos. Cobrar pelo uso, ou vender esse material, gera lucro para compensação das despesas.

Investimento público entra na equação?

Claro que o estado poderia da um mãozinha, mas não acredito que de um forma direta.

Não vejo o estado definindo linhas de pesquisa, a não ser de desenvolvimento inerente a ele, mas enxergo o estado como um investidor através das verbas para pesquisa.

Também há ação sobre os custos de produção e benefícios de certos itens de produção. Se o estado torna uma atividade mais interessante para a indústria, haverá uma tendencia de aumento no número de pesquisas neste setor.

Resumindo:

Não há uma resposta simples sobre o assunto, mas é evidente que sem pesquisas, não haveria desenvolvimento algum.

Para o meio acadêmico, tanto a forma aberta de pesquisa, quanto a colaboração entre empresas e universidades são as mais vantajosas.

A mão do estado é importante, pois atua de forma indireta, mas regula muitos dos fatores fertilizantes para o campo da pesquisa.

A grande questão é como fomentar estas pesquisas, para que elas possam gerar o tão desejado conhecimento acessível.

 

Um grande abraço.

Ronaldo Mendes Salles

 

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