China, CO2 e o mundo

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Poluição é um assunto que nunca vai deixar de ser moda.

De acordo com uma breve matéria estatística publicada no MIT Tecnology Review, As emissões de CO2 reduziram globalmente. A queda foi de 2014 para 2015. Isso poderia muito ser explicado por uma crise global sempre presente e que tem afetado em especial a China. A china também não teve em 2015 seu melhor ano, além de uma crise interna, gerada provavelmente por seu crescimento muito rápido nos anos anteriores, vários acidentes industriais assolaram alguns setores.

Gráfico de emissões globais de CO2 divulgado pelo MIT Technology review
Gráfico de emissões globais de CO2 divulgado pelo MIT Technology review

A matéria originalmente queria demonstrar que o PIB per capta (valor das produções do país sem descontar os custos, dividido por cada habitante) subiu (exceto na união européia, que parece que está na tensão de escoamento). Outro ponto importante que é ressaltado é que a China é o grande responsável pela redução da emissão de CO2 em 2015, já que os demais países estão “estáveis”.

Mas sinceramente não concordo com o objetivo da matéria. Não estou discordando de gráficos ou coisa parecida, apenas do contexto. O PIB dos países não ser sofrido uma queda proporcional às emissões não quer dizer muita coisa. O modelo de negócio norte americano não é mais focado em produção, mas em negócios e tecnologia, assim como boa parte da da união européia e alguns blocos asiáticos. Quem se prontificou e se apresentou nos últimos anos para ser a “fábrica do mundo” foi a China. Então o fato das emissões de muitos países estarem estáveis na verdade representam a terceirização das emissões de CO2. Pra quem estudou ou entende de “Crédito de Carbono”, sabe que essa ideia é antiga, onde empresas comprariam as emissões excedentes das que conseguiram prevenir. Dessa forma uma empresa que deixou de poluir 30% da sua média anterior, e que tenha meta de redução de apenas 20%, pode vender os 10% restantes para quem pagar mais. O que vejo é apenas uma variação desse tipo de negócio.

Pelo gráfico podemos ver que a China começou a se tornar num monstro a partir de 2003, quando o lago da usina de Três Gargantas começou a encher. A infraestrutura para seu crescimento estava ficando pronta então logo os investimentos fizeram da China um pólo fabril imenso.

pib mundial
Valor do PIB per capta divulgação: MIT Technology Review

A teoria mais “agradável” para minha massa cinzenta, que posso imaginar de todo este cenário, é que a China tenha alcançado rapidamente seu nível de industrialização aceitável, e que deste ponto em diante ela comece uma transformação natural do seu modelo de negócio, tentando qualificar a mão de obra e com isso elevando os custos, isso explicaria o fato do PIB não ter reduzido na China.

Mas a maior preocupação que me atinge é que isso significa que daqui alguns anos outro país será acometido dos interesses internacionais e um cenário favorável para se expandir industrialmente e destruir “sua parte do planeta” com poluição extrema. Essa hipótese é validada pelo temor que a Índia comece este processo, já que na própria estatística é apresentada uma lista dos poluidores crescentes, onde a Índia está na primeira posição.

O que seria necessário para mudar o quadro é tentar utilizar o conhecimento e tecnologia de grandes empresas para que os países que estivessem passando por essa etapa de industrialização pesada e extremamente nociva, fosse aplicado desde o começo. Mas convenhamos que isso não é a regra, normalmente esses países são explorados para produzir exatamente de maneira barata e sem nenhuma segurança, para evitar custos.

Um grande abraço!

20151022_132555Ronaldo Mendes Salles – Engenheiro civil,

Fundador do Engenheiro de pijama

 

 

 

Fontes e imagens:

MIT Technology Review

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