BIM, BIM, SalaBIM!

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A explosão do mercado da engenharia mundial, fenômeno que até agora os profissionais no Brasil estão tentando entender e será que estamos entendendo certo?

Primeiramente, se esta é a primeira vez que escuta a sigla BIM você está enrascado. BIM na tradução livre da abreviatura é: gerencia da informação da construção (ou predial, mas ficaria muito limitado). Este tipo de administração da informação é a febre do momento (viral, para os mais jovens) e promessa para resolver enormes conflitos entre os dados que são necessários no caso de obras que necessitam de muitas disciplinas atuando em conjunto e simultaneamente.

Definição oferecida pelo Wikipedia
Definição oferecida pelo Wikipedia

O problema do BIM é que ele é entendido como uma maneira de “facilitar” o projeto. Porque existe hoje uma sinergia muito grande entre os métodos de comunicação entre engenheiros e arquitetos, mesmo que eles não concordem em muitos pontos. Então a linguagem entre essas profissões consegue ocorrer sem muito ruído, mas quando estamos falando de um projeto que necessite de aberturas para passagem de tubulações de água para incêndio, processo industrial, caminho de dutos elétricos e demais, a comunicação entre disciplinas tão diversas é complexa e o tempo necessário para se solucionar, desenhar e enviar ao cliente não são mais cabíveis nos prazos (ah, prazos….). Então a solução encontrada no BIM foi a criação de um modelo 3d que seja compartilhado entre todos os envolvidos e então possível enxergar aonde estão os conflitos. Pronto, isso é o que é BIM para 99% dos engenheiros. Mas não é verdade.


O manuseio da informação é a real faceta que o BIM veio solucionar, pois convenhamos que modelar em 3d também requer que o trabalho de desenvolver as soluções seja realizado. Então o ganho de tempo é baseado somente na experiência dos profissionais em lidar com condições futuras, que os especialistas de cada área conhecem (dependemos da experiência, isso não reduz custo, mas eleva). A contrapartida positiva está em identificar o problema mais cedo e com isso somente mitigar estragos.

Building-Information-Modeling-BIM-A-revolucao-nos-projectosÉ preciso entender que o manuseio da informação deve contemplar todo o empreendimento. O projeto modelado em 3d para solução de problemas é muito bom, mas e se isso fosse lavado à diante? Em outro artigo, falei sobre a interessante proposta de contemplar as obras de infraestrutura em 3d, e desta forma ter a execução auxiliada por maquinário que lê o modelo criado e praticamente obriga o operador a fazer da forma correta, obtendo uma eficiência ainda maior (maior eficiência, menor custo, mais competitividade, não é disso que estamos falando?). Infelizmente isso é terrivelmente inovador no Brasil, pois estamos ficando muito atrás do resto do mundo em tecnologia (entenda que é a tecnologia acessível e utilizada efetivamente, não a existente no universo), imagine se tivéssemos como conferir a posição exata que deveriam ser posicionados elementos pré-moldados, ou formas, como seria mais simples fazer uma estrutura corretamente, a verificação presente na obra seria instantânea e muito mais rápida do que temos hoje.

Mas novamente o BIM não para por aí. Talvez isso que vou comentar aqui seja somente uma consequência do sistema, e não ele em si, mas estão intimamente ligados. Todos os equipamentos com tecnologia superior, custam mais caro, pra compensar isso, ele provoca redução de pessoal, mas se ele fica parado, é mais dinheiro gasto sem uso (prejuízo!!!). Então o sistema requer que exista um planejamento de recursos à altura dele, que seja capaz de entender ao longo do tempo o que será necessário e identificar os caminhos críticos para que os custos sejam reduzidos ao mínimo possível. Isso com certeza dificulta a absorção de alterações no projeto por parte do cliente, mas é justamente nesta hora que o sistema mostraria sua eficácia, ficaria clara a quantidade de recursos que foram deslocados e o trabalho adicional realizado para atender à solicitação. Então pra resolver esse problema entraria a adjudicação (veja postagens relacionadas) para resolver de forma expedita esses problemas.

Portanto o sistema BIM deve atuar em todas as etapas do processo de construção ou ele nunca será usado em seu potencial máximo. Há muito espaço para desenvolvimento de processos para construção e melhoria do uso do sistema em projetos. A acomodação dos profissionais ao entenderem que para se adequar ao sistema BIM, basta haver um modelo 3d que seja transportável para outras plataformas é o maior risco que esta tecnologia corre hoje de ser declarada pouco eficiente. BIM é uma ferramenta, que depende do usuário para ser bem empregada. Particularmente acredito que o grande diferencial dos modelos de gestão que farão a diferença e conquistarão o mercado no futuro a curto e médio prazo será a implementação vanguardista dessa forma olística de entender este sistema.

Um grande abraço.

Ronaldo Mendes Salles

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