Barragem um negócio instável

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Conforme todos os brasileiros e também várias outras pessoas estão à parte, o rompimento das barragens de rejeito de mineração de Fundão e Santarém se tornaram na maior tragédia ambiental do Brasil. Mas o que isso significa para nós? Será que a população realmente entende a gravidade do que aconteceu?

Uma onda de 2m de altura de lama, rocha misturada com água escoando e se misturando com o rio Doce e chegando ao oceano 1000km depois. O leito do rio está devastado, coberto pelos sedimentos que decantaram da lama no caminho. Os peixes morreram sufocados, o ecossistema em si foi modificado de forma abrupta e talvez irreversível. Pessoas perderam diretamente suas casas, seus bairros e algumas a vida, indiretamente algumas perderam o emprego e abastecimento de água.

O que se espera agora? Simples, que o exemplo seja um marco histórico não somente pela desgraça, mas pela possível e necessária mudança. Mudança na lei, que já existe sobre a responsabilidade daqueles que se propõem em fazer barragens maiores de 15m de altura, para qualquer fim. Leis mais incisivas para solicitar que sejam feitos seguros mais abrangentes para obras tão ameaçadoras ao meio ambiente e à sociedade. Obrigatoriedade de mapeamentos contínuos das condições do material estocado/contido, da represa e do comportamento do solo. Mudança no comportamento da empresa, que em plena era da sustentabilidade, onde isso é usado como propaganda, foi capaz de uma infelicidade de tão grande monta.

Mas isso é o que queremos, mas isso provavelmente não será feito, correto? Existe esperança! Em 1972 a barragem de Buffalo Creek na Virgínia do Oeste rompeu e matou milhares de pessoas, provocou desastres a serem comparados com o caso recente brasileiro. Neste caso a companhia também disse que o ocorrido seria “um ato divino”, obviamente não exaltando, mas apenas colocando-se fora dos responsáveis. Lá o governo não aceitou e então foram aplicadas multas épicas e também modificadas as leis que regiam esse tipo de risco.

O grande questionamento é: Por que não se cuidou dessas barragens? Infelizmente a resposta parece ser mais simples do que se espera em casos como este. Uma barragem de rejeitos é um lixão, por assim dizer, um aterro sanitário. Como a função de um aterro, a barragem lida com aquilo que não se deseja mais, portanto, nada que essa barragem esteja contendo será útil e gerará receita. Então se não gera receita, é uma despesa e como toda despesa ela deve ser tratada como um problema para a empresa e tudo é feito para que ela custe o mínimo possível. Custar o mínimo possível é o que nós vemos diariamente em nossas ruas, estradas e demais obras de responsabilidade do poder público (não é um bom exemplo a ser seguido).

O que deveria ser feito para evitar?

Toda barragem deve ser monitorada, como dito anteriormente. Mas além disso existem métodos de melhoria de disposição dos rejeitos que poderiam ter evitado todo o problema. Estocar os resíduos com menor quantidade de água faria com que eles fossem mais estáveis, aplicariam menor quantidade de força contra as paredes e ocupariam menor volume. Maior fiscalização pública, todos conhecemos a dificuldade de lidar com a burocracia de decisões públicas, mas a Samarco conseguiu em 2013 uma aprovação de aumento de capacidade para estocar mais lama e também para aumentar a altura da barragem (veja mais).

O que vejo é que como tudo na vida, nós estamos ha muito tempo em um mar de lama. Mas esse mar de lama é invisível e difícil de ser sentido, pois ele se baseia na corrupção. Essa lama já vem corroendo o Brasil de uma forma contínua ao longo das décadas. Seu poder de contaminação é tão grande que já reside dentro de nossa mentalidade, nós já vemos o poder público como um poder corruptível e que pode ser mobilizado ao seu interesse, dependendo de seu ciclo de amigos ou de quanto você está disposto a pagar. Quanto mais vamos ter de sofrer para que um dia acordemos?

Levanta Brasil!!!

Um grande abraço!

Ronaldo Mendes Salles

Fontes:

Instituto de engenharia

Wikipedia

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