Apple x Google – até nas compras

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Eae? Tudo bem?

Talvez seja difícil entender a manchete, mas quem sabe você tenha se lembrado de alguma compra feita pelo celular. Se esse foi seu caso, parabéns, está no caminho certo.

Os recursos “casados” que são oferecidos pelas empresas de tecnologia sempre tiveram um único objetivo, fidelizar seus clientes. Bem, em alguns casos fidelizar seu produto, já que como diz uma amigo meu, “só é cliente quem paga”. É difícil você pensar em um email sem usar o espaço de armazenamento que vem junto com ele, ou usar outros tantos serviços que ficam a sua disposição em um painel integrado, claro que nesse caso estamos falando da Google.

Mas, a gigante do mercado de tecnologia (que de tão grande acaba tentando abocanhar mercados de muitas empresas diferentes e fazendo inúmeros “inimigos”) tem tido dificuldade de enfrentar seu maior adversário no ramo das telecomunicações, a Apple.

O interesse das duas companhias nos aparelhos de “telefonia” móvel (se é que se usa um celular como um telefone ainda) é demasiadamente curioso. Não para quem já nasceu nesse cenário, mas para aqueles que sabem como as empresas se expressaram aos seus consumidores no início de seu despontar para a fama. Então vamos lembrar que a Apple era originalmente uma concorrente da Microsoft, mas não somente da Microsoft como empresa. A Apple tinha o interesse em destruir a idéia por trás de seu concorrente, nada mais justo para uma disputa. O interessante foi a empresa perceber as necessidades e usos que as pessoas tinham para os computadores e aplicá-los de forma mais eficiente e dedicada. As pessoas gostavam da facilidade de acesso ao meio musical que a internet proporcionou, então a empresa embarcou na criação de aparelhos que fizessem exatamente isso, os já muito superados iPods.

Enquanto isso a Google começava a mostrar seu real valor. Até então a Google era uma página de pesquisa que sem nem sabermos o motivo, estávamos usando sem parar para nossas pesquisas. A eficiência dos resultados, velocidade e a ausência de propagandas exageradas e uma sensação de imparcialidade foram os motivos que me levaram a usar somente este mecanismo de busca. Então nesse cenário, a Google começou a apresentar novos serviços, braços de opções que foram se abrindo, todos com a marca do mesmo mistério que a rondava desde o início: como isso pode ser grátis? A Google se mostrou uma empresa fascinada por tecnologia e por dominar os serviços relacionados à internet.

Após essa descrição de background bem pessoal, vem o ponto em questão: a Apple desejou expandir o uso de seus produtos, recentemente ela havia descoberto que havia espaço para dispositivos dedicados à uma única função. Agora daria o paço inverso. Se apegaria a idéia de produzir um aparelho de telefonia que pudesse ser de sua fabricação e com isso sua identidade. Aplicar o uso de um iPod em outro aparelho. Claro que na produção já se descobriu a capacidade de ter mais que uma função extra no aparelho. Assim tivemos o iPhone.

O iPhone mudou o mercado, criando o conceito de smartphone. Não precisou de muito para que o uso da internet se intensificasse nesses aparelhos. Melhoria de redes, maior oferta de aparelhos geraram uma situação onde a gigante da tecnologia via Web não pudesse mais se conter, iria entrar diretamente no ramo da produção de celulares.

Claro que a Google não entrou na fabricação ou hardware, mas mesmo assim foi responsável pela delimitação da entrada de dados nos aparelhos e com isso a famosa e tão necessária padronização das entradas USB nos celulares. A questão é que a Google veio com a mesma filosofia que a Microsoft tinha anos atrás e que incomodava a Apple da mesmo forma, mas agora com mais intensidade: fazer um sistema multiplataforma que possa ser aceito mais facilmente. Então a Apple tem se empenhado em conseguir meios de mostrar que seu produto é muito melhor, afinal mesmo com o hardware e software Apple você pode acessar sistemas do Google, ou não. Curiosamente vários serviços oferecidos pelas concorrente são conflitantes e redundantes. De forma que somente desenvolvedores imparciais conseguem desenvolver aplicativos que estejam a disposição tanto na Apple Store quanto na Google Play.

O interessante é que o esforço da Apple lhe parece trazer mais resultados dos que o Google. Com sua exclusividade de plataforma, cabe a própria Apple o planejamento de todas as etapas do processo de implementação de um novo serviço. Esta facilidade gerencial é muito decisiva no desenvolvimento e no teste de experiência do usuário (quem já usou sistema Android num Samsung e depois num LG sabe o que isso significa).

O próximo passo:

Agora os celulares querem substituir os cartões de crédito. Poderia ser uma evolução natural, já que saímos do mero escambo, para troca de itens de valor de raridade, depois para o conceito de moeda, depois veio o conceito de crédito e então agora o fator monetário migra mais ainda para o ambiente virtual e desaparece com o único símbolo físico da realização de uma compra que sobrou (o cartão).

Fora toda essa baboseira que descrevi o que interessa é, que a Apple está aplicando e desenvolvendo o Apple Pay de forma muito mais eficaz e inteligente do que a Google fez com o Google Wallet. A Apple percebeu o real potencial desse serviço/tecnologia e não se poupou de coisas simples, que um usuário de cartão de crédito poderia perceber facilmente. O ponto que considero chave é o uso de um terminal para localização do comprador no ato da compra. O uso de GPS em ambientes internos é inviável e a instalação de várias redes Wifi para proporcionar uma triangulação da posição do usuário também são custosas, difíceis de implantar e poderiam ser bloqueadas pelas opções de rede definidas pelo usuário.

A Apple resolveu o seu problema com o uso de terminais NFC (vide bilhete único). Com essa tecnologia (mais avançada que a do bilhete único) o posicionamento do cliente no ponto de pagamento é mais claro, o sistema tem acesso mais independente à comunicação e por isso funciona melhor.

Não tem como entrar nos detalhes da participação que a Apple conseguiu das transações de crédito realizadas sem isso aqui se tornar um livro, mas objetivo já foi de longe alcançado: fazer com que as pessoas pensam várias vezes mais antes de largar seus iPhones e começarem a usar um celular com sistema Android.

Por enquanto é só.

 

Um grande abraço!

20151022_132555Ronaldo Mendes Salles

Engenheiro Civil – Fundador do Engenheiro de pijama

 

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